Diabetes e Hipertensão, os vilões da Doença Renal Crônica - IUN - Instituto de Urologia e Nefrologia

17 4009-9191
Rua Voluntários de São Paulo, 3826
São José do Rio Preto / SP

Notícia

Diabetes e Hipertensão, os vilões da Doença Renal Crônica

A doença renal crônica (DRC) é considerada problema de saúde pública em todo o mundo. No Brasil, a incidência e a prevalência de falência da função renal estão aumentando; o prognóstico ainda é ruim e os custos do tratamento da doença são altíssimos. Independentemente da etiologia da doença, os principais desfechos em pacientes com DRC são as suas complicações (anemia, acidose metabólica, desnutrição, alteração do metabolismo de cálcio e fósforo, uremia, etc.), a perda da função renal e o óbito (principalmente por causas cardiovasculares). Estudos recentes indicam que estes desfechos indesejados podem ser prevenidos ou retardados se a DRC for diagnosticada precocemente e as medidas nefro e cardioprotetoras implementadas o mais rápido possível.

Define-se doença renal crônica quando os rins não são capazes de remover os produtos de degradação metabólica (“sujeiras”) do organismo ou de exercer suas funções reguladoras. Dentre as funções dos rins inclui-se:
- Eliminar as toxinas ou dejetos resultantes do metabolismo corporal: ureia, creatinina, ácido úrico, etc;
- Manter um constante equilíbrio hídrico do organismo, eliminando o excesso de água, sais e eletrólitos, evitando o aparecimento de edemas (inchaços) e aumento da pressão arterial;
- Atuar como órgão produtor de hormônios: eritropoetina, que participa na formação de glóbulos vermelhos; a vitamina D, que ajuda a absorver o cálcio para fortalecer os ossos; e a renina, que intervém na regulação da pressão arterial.

Portanto, diante do diagnóstico da DRC, existe a perda irreversível dessas funções, levando a deterioração das funções bioquímicas e fisiológicas de todo organismo. A DRC pode ser classificada/estadiada de acordo com os fatores de risco para sua existência e com a taxa de filtração glomerular, que vulgarmente falando, entende-se pela porcentagem de função renal.

Como entende-se diante do estadiamento da DRC, os fatores de risco são muito importantes para o desenvolvimento da doença, e os principais envolvidos no desenvolvimento da DRC são a hipertensão arterial sistêmica (HAS) e o diabetes melitos (DM) mal cuidados e/ou mal tratados. E como na maioria das vezes essas doenças são assintomáticas, elas são as grandes vilãs da doença renal crônica, por afetar os vasos sanguíneos não só dos rins como de todo o organismo, favorecendo também a ocorrência de retinopatia (que pode levar à cegueira), infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), dentre outros.

Outros fatores de risco para a DRC:
-
 Glomerulonefrites
- Doença cardiovascular preexistente
- Idade
- Baixa renda, pelo baixo acesso à saúde
- História familiar de DRC
- Uso de medicações nefrotóxicas, como o uso abusivo de anti-inflamatórios
- Refluxo urinário e infecções urinárias de repetição

A DRC pode ser tratada inicialmente por meio de terapêuticas conservadoras, como tratamento dietético, medicamentoso e controle da pressão arterial. A indicação do programa dialítico será feita quando o tratamento conservador não é mais capaz de manter a qualidade de vida do paciente e quando há o surgimento de sinais e sintomas importantes de uremia como inapetência, perda de peso, náuseas e/ou vômitos, dor abdominal, fadiga, insônia ou em estágios mais avançados sonolência excessiva, confusão mental, podendo até levar ao coma.

O paciente com DRC apresenta alterações sistêmicas devido às múltiplas funções renais afetadas, doenças de base e às próprias complicações referentes à doença. Assim o tratamento deverá envolvê-lo de forma ampla, abrangendo desde a psicoterapia, o direcionamento nutricional, o controle das doenças primárias, a correção de distúrbios metabólicos, até a adoção de uma terapia de substituição renal.

Em resumo, entendemos a importância do controle das doenças de base e o acompanhamento médico/nefrológico de pacientes com potenciais fatores de risco para o desenvolvimento da doença renal crônica.