A hemodiálise é uma nova oportunidade de vida - IUN - Instituto de Urologia e Nefrologia

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Notícia

A hemodiálise é uma nova oportunidade de vida

Conheça as histórias desses quatro pacientes renais crônicos que, além de acreditarem na eficiência da hemodiálise e serem gratos por ela existir, são provas de que a hemodiálise é uma nova oportunidade de vida, e não pode parar.

 

Marcelo Cherobim, 43 anos, aposentado.

Faz hemodiálise há 29 anos.

Morador de Potirendaba-SP, é casado, tem uma filha e um neto.

As sessões são de segunda, quarta e sexta-feira.

 

“Descobri a insuficiência renal em 1989. Comecei a sentir uma dor de cabeça que não era normal, especialmente porque eu tinha só 16 anos.

Fui encaminhado para Rio Preto, e atendido no Hospital de Base e iniciei a diálise peritoneal, que utiliza barriga para fazer o tratamento.

Depois fiz a fístula e iniciei a hemodiálise no Instituto de Urologia e Nefrologia.

Em 1993 passei por um transplante do rim direito. Fiquei quatro anos transplantado, e tive uma vida normal, mas sempre com o acompanhamento médico.

Em 1997 o rim transplantado deixou de funcionar e eu voltei para a máquina.

Em 2003, tentei o segundo transplante, mas desta vez não tive sucesso.

Uma semana depois eu estava novamente fazendo hemodiálise.

Eu me dou bem aqui, sempre saio me sentindo bem. Digo que quem faz hemodiálise precisa ter uma memória boa, porque precisa estar atento à alimentação. E tem a questão de ter que ingerir a menor quantidade de líquido possível. A carambola, por exemplo, você não pode comer nunca.

Hoje eu já estou bastante adaptado, e quando é preciso até oriento os que estão iniciando o processo.

O meu problema é hereditário, tem uns oito homens na família que tem insuficiência renal.

Quando você descobre a doença é necessário mudar o ritmo da vida, o que não é fácil, além disso, a mudança tem que se da noite para o dia.

Hoje eu me sinto bem, e pra mim a única dificuldade da hemodiálise é a limitação de poder viajar. Isso é uma coisa que me tira um pouco a liberdade de ir e vir.

Mas durante esse tempo todo eu aprendi que a saúde deve estar em primeiro lugar.  

Eu tenho algumas limitações, mas a minha vida não parou. Sei que a máquina faz a parte dela e eu tenho que fazer a minha.

Quando eu entrei aqui minha expectativa de vida era de sete anos, e eu continuo aqui.

Eu não faço hemodiálise porque eu tenho medo de morrer, eu faço porque eu quero viver.”

 

Joana D’arc de Andrade, 58 anos, dona de casa.

Faz hemodiálise há 25 anos.

Moradora de Frutal-MG, é casada, tem uma filha adotiva e uma enteada. 

As sessões são de segunda, quarta e sexta-feira.

 

“Eu comecei a passar mal em 1992, fiquei muito inchada e com falta de ar. Eu tinha pressão alta e não sabia. A princípio acharam que eu estava com problema de coração.

Vim me consultar em Rio Preto, e quem me atendeu foi uma médica da equipe do Dr. Wilson (Makoto Yamazaki). Ela descobriu que o problema era no rim e me mandou para o hospital no mesmo instante, disse que se eu esperasse mais um dia poderia não aguentar.

Só que eu não conseguia nem andar, porque o potássio estava altíssimo. Ai fiz a diálise peritoneal, no hospital. Meus dois rins já estavam paralisados.

e depois iniciei a hemodiálise no Instituto de Urologia e Nefrologia em 1993.

Eu não cheguei a fazer transplante. No início a minha irmã ia doar, porque ela era compatível, chegou a fazer todos os exames. Mas ai eu fui convivendo por aqui e achei que não compensava transplantar.

No início eu pensava que com o transplante ia resolver todo o problema, e eu fui descobrir que não é simples assim. Até porque eu tenho pancreatite, daí ia dificultar, porque os remédios são fortes, então fiquei com medo de rejeitar o órgão.

Passados alguns anos eu resolvi novamente tentar o transplante. Meu marido era compatível e foi fazer os exames. Mas eu desisti novamente, tirei meu nome da fila, e estou aqui sem transplantar.

A fase da pancreatite foi muito difícil, eu quase morri. Mas graças a Deus eu reagi. Fiz a fistula e estou aqui, está tudo bem, ele está sempre do meu lado (fala com emoção olhando para o marido), é meu porto seguro.

A hemodiálise é a minha vida, é o que eu tenho. Aqui é minha família. Nunca faltei em uma hemodiálise.

Pra mim uma dificuldade do tratamento é a água, a alimentação eu não me importo muito, o que não pode comer, eu deixo de comer e pronto, mas eu gosto tanto de água.

Nunca me revoltei, eu saio da sala de hemodiálise sorrindo, porque eu vivi mais um dia, e aqui eu me sinto muito acolhida.

A gente tem que aprender a viver com as limitações.

Se a gente quer viver, tem que fazer a nossa parte e ajudar a máquina.”

 

O marido de Joana, Roberto Mendes, faz questão de falar sobre sua experiência de acompanhá-la nesses 25 anos de hemodiálise.

“E essa aqui, quando chora (fala olhando para Joana), eu falo pra ela: esse rostinho não foi feito pra chorar, foi feito pra sorrir.  

Cada dia é um novo aprendizado. E você tem condições de se melhorar como pessoa. É uma tem oportunidade de ver a dificuldade do outro. Então eu agradeço muito a vida, pela oportunidade de estar aqui acompanhando a Joana.

Mas ela tem uma energia que encanta. Às vezes ela fala pra mim: não aprendi nada nessa vida, não sei dirigir, não sei isso, não sei aquilo. E eu falo pra ela: tem pessoas que vieram pra ensinar, não pra aprender, vieram pra ser a referência de alguém.  

Às vezes ela fala pra mim: eu estou te dando muito trabalho; mas eu agradeço a oportunidade que tenho de fazer o que posso. E eu vou aprendendo.”

 

Pérgio João de Oliveira, 56 anos, aposentado.

Faz hemodiálise há 30 anos.

Morador de Nhandeara-SP, é solteiro e não tem filhos.  

As sessões são de segunda, quarta e sexta-feira.

 

“Descobri que eu tinha um problema renal em 1988 depois que comecei a ter muito vômito. Fui ao médico na minha cidade, e me encaminharam para Rio Preto. Aqui fui atendido pelo Dr. Horácio Ramalho (que também integra a equipe do Instituto de Urologia e Nefrologia), e quando ele viu os exames, com a creatinina alta, ureia lá em cima, me disse que eu estava com problema renal.

Fui internado, fiz a fístula e comecei a fazer hemodiálise, em dezembro.

Depois de seis meses surgiu a possibilidade de usar o rim do meu pai, que era compatível. Fiz o transplante e deu tudo certo.

Eu fiquei 10 anos com o rim direito transplantado, e tinha uma vida normal.

Mas em 1998 começou o vômito outra vez. As pernas perderam a força, e meu pai me trouxe para ser atendido pela mesma equipe.

Creatinina e ureia lá em cima, e o médico disse que eu havia perdido o rim.

Fui internado por 12 dias e voltei para a hemodiálise. A fístula nunca parou.

Mas está tudo ótimo, eu estou vivo até hoje. Acho que tudo isso eu tinha mesmo que passar aqui na terra.

O segredo da hemodiálise é: boa alimentação, suplemento bom, e não pegar líquido.

O que eu aprendi nesse tempo todo é que, pra mim, eu tinha que passar por isso, era uma lição de vida, e eu encarei dessa forma, tinha que passar e estou aqui. Tenho a cabeça feita sobre isso.

Eu acho que na hemodiálise você não pode é cair em depressão, eu nunca tive isso. Eu encaro como uma forma de vida que eu tenho.

 Não tenho medo de morrer porque acredito que era uma provação que eu passei. Sei que Deus é maravilhoso pra mim. Todo dia eu oro, peço, entre na máquina e peço.

Mas eu encarei que eu tenho uma vida normal. E o dia que Deus quiser me levar, não tem o que fazer. Eu tenho muita fé em Deus, eu até me emociono.

As pessoas que recebem o diagnóstico não precisam se revoltar.

Eu fico de olho no controle do potássio, sei que ele é bravo, eu já vi ele matando gente, porque atinge o músculo do coração. Mas eu me adaptei e sigo as orientações.”

 

Elson dos Santos Ribeiro, 52 anos, aposentado.

Faz hemodiálise há 25 anos.

Morador de Palestina-SP, é solteiro e sem filhos.

As sessões são de segunda, quarta e sexta-feira.

 

“Em 1987 eu sofri um acidente, quando um caminhão tombou comigo, e a partir desse momento eu passei a ter o problema de saúde. Começou com infecção de bexiga e depois no rim.

Em 1993 eu iniciei a hemodiálise, nunca fiz transplante devido ao problema de refluxo (refluxo vesico-ureteral grave).

Eu tive muitos momentos de altos e baixos. Mas se não fosse pela hemodiálise eu não estaria vivo, porque os rins pararam de funcionar, então é o único jeito de viver.

Para mim uma dificuldade em fazer a hemodiálise é em relação a algumas viagens. Eu tenho parentes na Bahia e não posso ir lá visitá-los, então eles que tem que vir. Porque precisa conseguir vaga para fazer a hemodiálise no local.  O que eu aprendi nesse tempo é que a gente não deve desistir, precisa ter fé em Deus e buscar o tratamento, porque existe.

Daí o médico, as enfermeiras orientam a gente do que precisa fazer e é por isso que eu estou vivo. Se eu não seguisse o que eles explicam ficaria mais difícil.

E hoje eu entendo bem que, fazendo o tratamento certinho, a vida continua.

Eu digo assim, para as pessoas que tem o mesmo problema que eu tenho: não desistam. Procure o tratamento, porque existe.

Fora isso é ter fé, paciência, coragem, senão a pessoa desanima, deixa de seguir as orientações do médico e fica pior para ela.”