Transplante Renal (Tx) - IUN - Instituto de Urologia e Nefrologia

17 4009-9191
Rua Voluntários de São Paulo, 3826
São José do Rio Preto / SP

Nefrologia

Transplante Renal (Tx)

O transplante é a substituição dos rins doentes por um rim saudável de um doador. É o método mais efetivo e de menor custo para a reabilitação de um paciente com insuficiência renal crônica terminal.

A técnica cirúrgica e os cuidados do transplante renal foram bem estabelecidos como tratamento adequado para a insuficiência crônica renal a partir de 1965.

Hoje, no Brasil, aproximadamente 35.000 pacientes com insuficiência renal crônica estão em tratamento pela diálise. Destes, somente 4 mil conseguem ser transplantados anualmente. A razão dessa longa fila de espera se deve ao pequeno número anual de transplantes renais. No Brasil, só conseguimos transplantar 10 % dos pacientes que estão na lista de espera.

Além disso, a mortalidade em hemodiálise em todo o mundo e no Brasil é da ordem anual de 15 a 25 %. Se somarmos os pacientes transplantados (10 %) aos que morrem em hemodiálise (15 a 25 %) restam anualmente 65 a 75 % de pacientes na lista de espera. A esse grupo deve-se somar os novos renais crônicos que surgem todo o ano, em torno de 35 a 50 para cada um milhão de habitantes.

Quem pode fazer transplante renal?
Todo o paciente renal crônico pode se submeter a um transplante desde que apresente algumas condições clínicas como: suportar uma cirurgia, com duração de 4 a 6 horas; não ter lesões em outros órgãos que impeçam o transplante, como cirrose, câncer ou acidentes vasculares; não ter infecção ou focos ativos na urina, nos dentes, tuberculose ou fungos; e não ter problemas imunológicos adquiridos por muitas transfusões ou várias gestações.

Quem pode doar um rim?
Podem doar rim pessoas vivas e pessoas em morte cerebral. O doador vivo pode ser da família (pai, mãe, irmão, filhos), ou de outra pessoa relacionada com o receptor. Todos os doadores vivos devem estar em plena consciência do ato que estão praticando. Após serem examinados clínica e laboratorialmente e se não apresentarem nenhuma contra-indicação podem doar o rim.

Algumas vezes são realizados transplantes com doador vivo não relacionado, exemplo esposa (o). Nesses casos a investigação realizada é muito maior e deve haver algum grau de compatibilidade dos tecidos para não haver rejeição.

É muito importante em todo o transplante, seja de doador vivo ou não, que o sangue e os tecidos sejam compatíveis. Essa semelhança evita que o sistema de defesa imunológica do receptor estranhe o novo rim e o rejeite. Para isso, são feitos exames da tipagem sangüínea (ABO) e dos antígenos dos glóbulos brancos (HLA). O HLA é um exame igual ao de paternidade e/ou maternidade.

Para o doador por morte cerebral, há uma rotina e um protocolo nacional que são seguidos rigidamente pelas equipes de transplante. Os principais passos são os seguintes:

  • Constatar a morte cerebral
  • Afastar qualquer doença que inviabilize o transplante
  • Reconhecer a viabilidade do órgão a ser doado
  • Realizar as provas de compatibilidade
  • Procurar o receptor mais parecido (compatível)
  • Enviar o órgão ao local da cirurgia do receptor.

Como se prepara um transplante de doador vivo?
O transplante de doador vivo é um processo que segue os seguintes passos:
São afastadas as contra-indicações de ordem física e de fundo emocional.
Compara-se o grupo sangüíneo do doador e do receptor que devem ser compatíveis.
Verifica-se a compatibilidade (HLA), semelhança entre o receptor e o doador.
Estuda-se o doador para verificar se pode doar sem prejuízos e se não tem alguma doença.
Estuda-se o receptor para verificar se não está sensibilizado para evitar crise aguda de rejeição contra o rim doado.

Deve-se começar antes da cirurgia o tratamento com os imunossupressores( medicamentos para prevenção da rejeição).

Esses são os passos principais, mas o transplante de rim de doador vivo ou falecido, tem rotinas específicas de cada equipe de transplante. Após a cirurgia, iniciam-se os cuidados médicos que vão durar para toda a vida do transplantado. Exames clínicos e laboratoriais são feitos diariamente durante os primeiros 15 a 20 dias para diagnosticar e prevenir as rejeições.

Após a alta, o transplantado faz exames clínicos e laboratoriais semanalmente, por 30 dias, depois duas vezes por mês. Os três primeiros meses são os mais difíceis e perigosos, porque é o período no qual ocorre o maior número (75%) de rejeições e complicações infecciosas.

A partir do terceiro mês, iniciam-se os exames mensais durante 6 meses. E o controle vai se espaçando conforme a evolução clínica e o estado do rim.

Nunca, sob hipótese alguma, o paciente pode interromper ou modificar a medicação, ou deixar de fazer os exames indicados. É uma obrigação para o resto da vida. Uma falha pode ser fatal. A crise de rejeição pode ocorrer a qualquer momento, mesmo após muitos anos de um transplante bem sucedido.

Compartilhe sua vida... Compartilhe sua decisão.

Dois passos simples que podem salvar uma vida.

Primeiro passo - compartilhe sua vida
Talvez você conheça alguém que já tenha se beneficiado com um transplante de órgãos ou tecidos, ou conheça alguém que está a espera de um transplante.

O transplante é um dos tratamentos de maior êxito na história da medicina. Na maioria dos casos, é a única esperança para milhares de pacientes cujos órgãos tenham deixado de funcionar ou para aqueles que necessitam urgentemente de córneas, pele, ossos ou outros tecidos.

Lamentavelmente, a demanda de órgãos e tecidos ultrapassam a oferta. Neste momento, milhares de pessoas no Brasil poderiam ter a esperança de uma vida melhor se houvessem órgãos e tecidos suficientes. A doação de órgãos e tecidos nos oferece uma oportunidade especial de ajudar o próximo. Você pode salvar muitas vidas se tomar a decisão de ser um doador de órgãos e tecidos.

Segundo Passo - Compartilhe sua decisão.
Comunicar sua decisão de ser um doador de órgãos e tecidos a seus familiares é tão importante como tomar a decisão.

Em caso de seu falecimento, será perguntado a seus familiares sobre a doação.

Se compartilhar sua decisão com seus familiares agora, você estará assegurando que seu desejo será facilmente cumprido e evitará confusão a respeito de sua decisão.

Além disso, cumprir com seu desejo de salvar outras vidas pode servir de grande consolo para sua família nos momentos do luto.

Perguntas e Respostas
Para ajudá-lo em sua decisão, aqui você pode ter as respostas de algumas perguntas mais comuns a respeito da doação de órgãos e tecidos.

Quem pode ser um doador?
Todos devemos nos considerar como possíveis doadores de órgãos e tecidos. Sua condição médica, no momento do falecimento, determinará quais órgãos e tecidos poderão ser doados.

Quais órgãos e tecidos posso doar?
Entre os órgãos que podem ser doados estão: o coração, rins, pâncreas, pulmões, fígado e intestinos. Os tecidos que podem ser doados são: olhos, peles, ossos, válvulas do coração e tendões.

Minha decisão de ser um doador de órgãos e tecidos afetará a qualidade do cuidado médico que eu venha receber?
Não! A retirada de órgãos e tecidos só será permitida após ter se esgotado todos os recursos para salvar a vida e quando seu falecimento tenha sido declarado legalmente. A equipe de médicos encarregados do tratamento do potencial do doador é diferente da equipe de médicos encarregados da retirada dos órgãos e tecidos.

A doação desfigurará meu corpo? A urna pode ser mantida aberta durante meu funeral?
A doação não desfigura o corpo, e não modifica o aspecto visual no interior da urna, que poderá permanecer aberta.

A doação implica algum gasto para minha família?
Não! A doação não representa nenhum gasto adicional para sua família. A família do doador é responsável pelos gastos de hospitalização e os serviços funerários habituais.

Minha religião aprova a doação?
A maioria das religiões aprovam a doação de órgãos e tecidos e a consideram como um presente de vida, um ato de caridade.

O que acontecerá com meus órgãos e tecidos doados?
Os pacientes que receberão seus órgãos e tecidos serão selecionados levando-se em consideração muitos fatores, tais como tipo de sangue e critérios médicos. No Brasil existe um sistema que assegura a justa distribuição dos órgãos, baseados em critérios imunológicos de histocompatibilidade. A compra e venda de órgãos é ilegal!

Como compartilhar sua decisão
A seguir você encontrará algumas idéias que o (a) ajudarão a explicar sua decisão a seus familiares. Recorde-se, é importante que sua família entenda e aprove sua decisão.

Comece dizendo que eles são parte importante na decisão pessoal que você tomou e que hoje deseja compartilhar este fato com toda a família.

  • Diga-lhes porque deseja tornar-se um doador. Explique que a doação é o resultado de uma longa reflexão e que está convencido que a decisão está correta.
  • Diga-lhes da grande diferença que você, com sua decisão, pode fazer na vida dos outros. Explique-lhes como um doador pode ajudar mais de 50 pessoas.
  • A doação pode salvar vidas de quem sofre de doenças crônicas incuráveis, de queimaduras graves ou cegueira.
  • Explique-lhes que quanto maior a quantidade de doadores, maior será a quantidade de vidas que poderão ser salvas.
  • Pessoas de todas as idades, raças e condições econômicas esperam por um transplante de órgãos e tecidos. O número de pessoas no Brasil que aguardam um transplante renal, que pode salvar suas vidas, está próximo de 5.000, enquanto que milhares de indivíduos poderiam beneficiar-se com o transplante de outros órgãos e tecidos. Lamentavelmente, centenas dessas pessoas morrem todos os anos por falta de doadores.

 
Lei Federal - 30 de Junho de 1997
Em junho de 1997 foi regulamentada LEI FEDERAL que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento. Esta lei é conhecida como doação presumida de órgãos, ou seja, toda pessoa que não manifestar seu desejo contrário à retirada de órgãos e tecidos mediante constatação da expressão " não doador de órgãos e tecidos " na carteira de identidade civil ou similar e na carteira nacional de habilitação, será considerado doador após a morte.Apesar da nova lei, os familiares deverão continuar sendo abordados sobre a doação, por isso, é importante que você compartilhe com eles sua decisão de doador de órgãos.


Visite os sites: www.doevida.org.br
Sociedade Brasileira de Nefrologia - www.sbn.org.br
Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplantes - www.abcdt.org.br