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Dicas de saúde

Quando considerar um pênis pequeno

QUANDO CONSIDERAR UM PÊNIS PEQUENO

O tamanho do pênis é motivo de grande interesse para muitas pessoas. Muitos homens consideram que seus pênis são pequenos para satisfazer as pessoas com quem se relacionam sexualmente, outros consideram o pênis grande um sinal de masculinidade e virilidade. Essas crenças infundadas geram inseguranças e insatisfações desnecessárias.

A disseminação de vídeos eróticos ou pornográficos pela internet, na maioria das vezes com portadores de pênis muito avantajados, tem criado uma busca insana aos nossos consultórios de homens, principalmente os jovens mais inexperientes, descontentes com o tamanho do seu órgão sexual.

Qual seria o tamanho considerado normal ou a definição de pênis pequeno em um adulto?

Existe inúmeros estudos científicos de medidas penianas, com resultados diferentes, sistematização aleatória, como tomar a medida com pênis flácido esticado, ereto espontaneamente ou por fármaco indução; análise feita pelos pesquisadores ou pelo próprio paciente, e por fim jeito de realizar a medição . Dessa forma, estamos longe de dados cientificamente satisfatórios e uniformes.(1)

Em 1966, Wessels publicou no Journal of Urology estudo que mostrou média peniana em ereção de 12,9 cm, com a medição realizada pelos pesquisadores.(2) Já Chen em 2000, demonstrou que a média do pênis ereto era de 13,5 cm em publicação no International Journal of Impotence Ressearch.(3)

Um dos maiores estudos já realizados, publicado no British Journal International , com mais de 15 mil homens, de 17 a 91 anos, revelou valores médios de 9,1 cm em estado flácido e 13,12 cm ereto, enquanto a circunferência média foi de 9,3 em flacidez e 11,6 em ereção. Foi detectada ainda uma pequena relação entre o tamanho peniano e estatura.(4)

De uma maneira geral, entende-se por tamanho normal, o pênis de 10 a 17 cm em ereção, e que menos de 3% da população masculina esteja fora da média, para mais ou para menos

Entretanto, é sabido que o tamanho peniano não é fundamental para o orgasmo feminino, visto que o tamanho médio da vagina excitada é de 10 cm, chegando a 14 durante a penetração.

A idéia que uma penetração vaginal mais profunda poderia proporcionar maiores prazeres foi desmistificada em vários estudos, que apontam a área proximal da vagina como a mais sensível, principalmente a região mais externa, onde está o clitóris e o chamado “Ponto G” (Ponto de Grafenberg em homenagem ao ginecologista alemão, descrito por Addiego em 1981), local que seria a zona erógena da vagina, conceito contestado por muitos autores.

Em relação as mulheres, o tema é também muito debatido e controverso. Pesquisa realizada nos EUA mostrou que 93% estavam muito satisfeitas com o tamanho do pênis de seus parceiros, outro estudo mostrou que pênis grandes que comprimem o colo do útero causam desconforto, e que; a circunferência seria fator de maior estimulação sexual que o comprimento.

Dessa forma, acredita-se que um pênis menor que 9 cm em ereção, seja considerado pequeno e possa trazer dificuldades para o homem e sua parceira. Associa-se a isso o impacto psicológico com perda da confiança, elevação da ansiedade e diminuição da auto estima, o que afeta o desempenho sexual.

Entretanto, um homem com pênis pequeno, que tenha um relacionamento estável para lhe trazer tranquilidade e segurança, pode na maioria das vezes ter e proporcionar prazer num ato sexual.

Algumas posições no relacionamento heterossexual podem lhe beneficiar, como por exemplo o homem estar por cima e a mulher deitada com as pernas elevadas, a penetração por trás com a parceira de “quatro”, de “frente a frente”, ou ainda a mulher sentada por cima.

Os resultados dos tratamentos para aumento peniano são decepcionantes e vão desde a bomba de vácuo a cirurgias. Os mais empregados são os dispositivos mecânicos de tração progressiva que podem proporcionar ganhos de comprimento de 2,3 cm e 1,7, em flacidez ou esticado, segundo Gontero em seu estudo prospectivo publicado no British Journal of Urology. Entretanto, esses resultados não foram os mesmos obtidos em outros estudos.

Para aumentar o diâmetro peniano, preenchimento com gordura ou mesmo outras substâncias, como ácido hialuronico tem sido realizados em pequenas séries de casos, com resultados preliminares, desanimadores e que raramente satisfazem os pacientes.(5)

E por fim, a cirurgia para aumento peniano, que deve sempre ser considerada a última opção de tratamento, pois o resultado nem sempre é o esperado , podendo ainda surgirem deformidades que acabam influenciando a ereção. Consiste na secção do ligamento suspensor que pode alongar em até 2cm o pênis em flacidez e muitas vezes não há diferença em ereção, além dos homens perderem a elevação natural quando ereto.(6,7)

Uma opção razoável de cirurgia, seria para o homem que já apresenta uma disfunção erétil refratária, muitas vezes associada ao descontentamento pelo tamanho peniano, a colocação de próteses penianas que proporcionam discreto aumento e principalmente maior tumescência .(8)

Finalmente o Micropênis, geralmente diagnosticado na infância, acomete aproximadamente 1 a cada 200 meninos, sendo morfologicamente normal, no entanto com comprimento inferior a dois e meio desvios-padrão. É um problema de difícil resolução, geralmente ligado a deficiências hormonais, hormônio do crescimento ou gonadotrofinas e algumas síndromes. Esporadicamente não encontramos a etiologia, sendo considerados idiopáticos. O tratamento na maioria das vezes é administração de testosterona e requer equipe multidisciplinar com endocrinologista, psicólogo e urologista.(9)

Diferente do micropênis, o pênis embutido que acomete principalmente crianças e pré púberes geralmente acima do peso, com coxim pubiano gorduroso, ou ainda idosos, merecem um tratamento individualizado. Em algumas situações a lipoaspiração pubiana pode proporcionar bons resultados associada às mudanças de hábito e ao emagrecimento.(10)

Em pré púberes acima do peso com pênis pequeno, e baseado na experiência de correção de hipospádias, tenho administrado testosterona em casos selecionados, com efeitos benéficos e sem efeitos colaterais.

De uma maneira geral, a enorme maioria dos pacientes que nos procuram para aumento do pênis acabam sendo orientados a não realizar nenhum procedimento cirúrgico e sim buscar um fortalecimento psicológico. São orientados que ter e proporcionar o prazer não está relacionado somente ao tamanho peniano, mas as carícias preliminares e principalmente a sedução do ato sexual, lembrando-os que a maioria das mulheres não atingem o orgasmo somente com a penetração.

Assim, o tamanho peniano continua sendo uma grande preocupação para os homens, entretanto a grande maioria tem o pênis normal e suas inquietudes são desnecessárias, e apenas uma minoria necessitará um auxílio psicológico e urológico.

 

Miguel Zerati Filho

Chefe do Serviço de Urologia do Instituto de Urologia de São José do Rio Preto – SP

Responsável pelo Departamento de Urologia Pediátrica do HB/FUNFARME.

Doutor em Cirurgia pela Universidade Estadual Pauli